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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

EUA: 100 mil milhões de dólares, quem dá mais?

DR

A conferência que decorre desde a semana passada em Copenhaga, Dinarmarca, tem sido um autêntico fracasso. Estão reunidos mais de 180 representantes de países do mundo inteiro que não querem ou não conseguem chegar a um acordo satisfatório.

Nada disto é novidade, já se sabia de antemão que a conferência seria mais um show mediático do que outra coisa. É uma conferência política, com agendas políticas nacionais, agendas geopolíticas e decerto que para alguns, uma oportunidade de gozar umas férias. Até foi anunciado na semana passada que os conferencistas não teriam que pagar por sexo nas casas de prostituição de Copenhaga!

Mas hoje eis que surge a esperança! ou melhor a falsa esperança.Uma esperança de quem não quer resolver a coisa mas tem de fazer algo pomposo à altura do seu status internacional, e bem à moda dos EUA não há melhor forma de o fazer do que atirar uns bons mil milhões de dólares para os ouvidos das pessoas.

"EUA concordam com 100 mil milhões de dólares para fundo climático",noticía hoje o jornal PÚBLICO. Aqui está a filosofia tradicional de que com dinheiro tudo se compra e tudo se resolve.

Os políticos adoram esta jogada: prometem hoje 100 mil milhões de dólares por ano (cerca de 69 mil milhões de euros!), mas (este mas é importante), só a partir de 2020.. nada mais do que a 11 anos de distância! Onde estarão os políticos em 2020?

Provavelmente descansados da vida a gozar de uma boa reforma...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Climategate: confronto na blogosfera

DR

Após a publicação no EXPRESSO de um artigo de opinião de José J. Delgado Domingos (professor catedrático do Instituto Superior Técnico), houve muita agitação na blogosfera.

Miguel B. Araújo no blogue AMBIO, propôs-se a «desmontar» o artigo do EXPRESSO através de este artigo.

A resposta de José J. Delgado Domingos não se fez esperar.

Para os interessados neste tema, aconselho vivamente seguir o debate que se avizinha no respeitado blogue AMBIO. Por vezes a linguagem pode desviar-se para pormenores técnicos demasiado complicados para o cidadão sem formação científica entender, mas para que haja rigor nos argumentos não é possível escapar à terminologia apropriada.

Espero que este debate sirva para entender que em ciência não existem verdades absolutas e que não se pode descredibilizar sem mais nem menos quem tem opiniões diferentes.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Algum nonsense de Copenhaga

DR
Segundo a imprensa:

- mais de 1200 limosines;
- 5 carros eléctricos ou híbridos;
- 140 jactos privados;
- 41.000 toneladas de CO2eq. durante os 11 dias da Cimeira;

Mas não era suposto os participantes darem um bom exemplo? Sobretudo numa cidade com excelentes transportes públicos e numa Cimeira com tanto significado e simbolismo?

Não, eles dizem que depois compensam as emissões, ou seja, pagam por uns projectos quaisquer de redução de CO2 e está feito.

Enquanto as mentalidades não mudarem e o dinheiro comprar todas as soluções, continaremos a não atingir nada semelhante ao desenvolvimento sustentável.

Esta Cimeira está condenada ao fracasso e ao exibicionismo mediático.

Nada mais.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O nuclear: um grande lobby

DR

É quase sempre assim: sempre que se fala de ambiente, fala-se de alterações climáticas, depois do CO2, em seguida da energias renováveis, quiçá de eólicas e de barragens, mas quase sempre a conversa acaba por ir dar ao controverso tema do nuclear.

Uns vêem o nuclear como solução para a questão energética, já que virtualmente não emite CO2, outros vêm no nuclear uma catástrofe eminente e uma tecnologia pouco segura, além da questão ainda por resolver dos resíduos nucleares.

A verdade é que queiramos quer não, Portugal importa energia eléctrica e parte dessa energia provém de centrais nucleares, somos portanto consumidores de energia nuclear. Para confirmar esta afirmação, faça favor de ver com atenção a sua factura de energia.

O nuclear nunca será opção viável para Portugal por várias razões. Uma, é que é simplesmente demasiado caro construir uma central deste tipo, ainda que o combustível seja muito barato. É portanto o contrário do que se passa numa central a gás natural ou a carvão: a construção é barata mas o combustível caro e será tendencialmente mais caro no futuro.

Actualmente apenas uma central nuclear está em construção na Europa, localiza-se na Finlândia e o consórcio debate-se com graves problemas a nível de financiamento, é simplesmente demasiado cara, está a demorar muito tempo para construir e para entrar em funcionamento.

Outra razão prende-se com a opinião e a aceitação pública deste tipo de tecnologia. Os portugueses não estão preparados para aceitar uma central nuclear no seu país. É precisamente aqui que entra o título deste post.

A indústria nuclear é uma fortíssima apoiante de todas as políticas e medidas que visem taxar, limitar, regular e comercializar o CO2. Porquê? Porque o sector energético é responsável por 2/3 das emissões de CO2. Que sorte! O nuclear preenche ambos os requisitos: produz energia eléctrica sem produzir CO2.

Não é de estranhar portanto que a industria nuclear seja um forte lobby ambiental. As motivações deste lobby são puramente económicas, é invocado o ambiente, mas apenas como fachada para amolecer os corações e mentes da sociedade.

A propósito, ler a notícia do PÚBLICO de hoje.

"Please help the world"

É o título do filme de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP15) que teve início hoje em Copenhaga, Dinamarca.



Algumas das partes do filme até faz lembrar os filmes catastróficos de Hollywood.

Entrevista a Bjorn Lomborg

O economista dinamarquês Bjorn Lomborg, autor de livros como "O Ambientalista Céptico" e "Cool It - The Skeptical Environmentalist's Guide to Global Warming", foi entrevistado pela Sociedade das Nações (SIC Notícias).

sábado, 5 de dezembro de 2009

Climategate: recortes de imprensa

DR

«O escândalo do 'Climategate' e a Conferência de Copenhaga» EXPRESSO

«What happened to global warming?» BBC NEWS

«Painel da ONU vai investigar a alegada manipulação de dados do clima» - PÚBLICO

«Met Office to re-examine 160 years of climate data» TIMES ONLINE

«CRU's programming 'way below expected standards'» BBC NEWS (vídeo)

«Mail-strom» THE ECONOMIST

LINK para os emails do CRU

Aqui fica a nota que no blog AMBIO e MITOS CLIMÁTICOS, o alegado caso Climategate está também a ser seguido pelos respectivos autores dos blogs.

O melhor é cada um pesquisar por si, investigar, ir às fontes de informação e retirar as suas próprias conclusões.

Reflectir sobre algumas questões ambientais

DR

Como regresso ao falascreve, resolvi escrever sobre um tema muito na ordem do dia: ambiente, alterações climáticas e o papel da Ciência.

Um intenso debate tem sido travado na blogosfera e em alguns meios de comunicação estrangeiros devido ao chamado Climategate, que consistiu num ataque aos servidores da Climate Research Unit no Reino Unido, de onde foram retirados e tornados públicos centenas de emails trocados entre investigadores. Enfim o tema é complicado, oportunamente deixarei algumas referências sobre o tema.


Gostaria de notar que embora o denominado Climategate esteja a surgir na imprensa internacional, nomeadamente na britânica e norte-americana com alguma regularidade, em Portugal existe um profundo silencio nos média acompanhado de falta de debate, sintoma de que talvez o tema não seja merecedor da atenção dos portugueses, quiçá mais preocupados com o grupo que calhou a Portugal no Mundial.

Em primeiro lugar penso que o termo “negacionista” tem associado por natureza uma conotação negativa e injusta. Decerto existirão “negacionistas” de verdade, talvez aqueles que neguem tudo em Ciência, mas o termo é demasiado forte para aqueles que estão convictos de que é necessário e que faz parte do processo científico, por em causa, testar teorias e manter os horizontes abertos. Não deixar a comunidade científica repousar sobre verdades absolutas e deixar que o debate se torne ausente, unilateral ou demasiado político. Tem de existir necessariamente uma dualidade, um confronto, apoiado em factos e em raciocínios lógicos de ambas as partes.

Aqueles que sabem a ciência climática está completamente envolta em política internacional ao mais alto nível, com variados interesses de indústrias e sectores e que o mercado de CO2 a nível mundial pode valer biliões de euros, não podem deixar de perguntar: mas afinal quem lucra? Quem fica a ganhar? Aqui a resposta que se pretende não é a simples e politicamente correcta: a Humanidade ou o Ambiente, aqui o ”jogo” é tentar pensar um pouco mais à frente.

Coitados! Além de apelidados de “negacionistas”, são também apelidados de louquinhos adeptos das teorias da conspiração!

Aquele que ousar questionar demasiado ou pensar coisas impensáveis, tentar ler nas entrelinhas e ver para além do que é ditado pelos jornais e tv, ganha instantaneamente esta conotação.

O indivíduo que faça o esforço de usar a cabeça para pensar por sí próprio, tem cada vez menos credibilidade na sociedade actual.
Uma visão um pouco Orwelliana, no sentido do pensamento individual e da sua expressão.

Vejo muitas vezes defendido o aquecimento global de origem antropogénica com unhas e dentes e um intenso olhar de suspeita sobre quem questiona os porquês mais elementares dessa teoria.

Fico com a sensação de que quem questiona, porque quer realmente saber e entender, é rotulado de negacionista, como alguém que além de cometer a heresia de por em causa verdades científicas sagradas, quer poluição no mundo, pouca eficiência energética na sociedade e indústria, rejeita as energias renováveis, e não aceita que o clima está em alteração, enfim uma espécie de Freddy Krueger para os ambientalistas.

A meu ver a confusão criada pelos media e por outros meios ao rotular o CO2 como um poluente atomosférico, é uma atrocidade tremenda! Acredito que se for elaborado um inquérito à população para nomear um poluente atmosférico, o CO2 será referido na maioria das respostas! Gás esse que exalamos, as plantas consomem, os oceanos absorvem e libertam e tantos outros processos biológicos o utilizam.

Que interessa se a Petrogal (Refinaria do Porto), localizada ao lado de um núcleo urbano de grande dimensão, emitiu em 2007 para a atmosfera: 107Kg de cádmio, 500Kg de chumbo, 829Kg de crómio, 1.6 ton de zinco, 9.780 ton de SOx, quando foram emitidas 1.230.000 ton de CO2? Numa perspectiva de saúde pública ambiental, toxicológica e até racional, conclui-se que o CO2 é de longe o menos inofensivo para a população que vive ao redor da refinaria. Fonte.

A questão, excluindo até os acontecimentos do Climategate, é saber se hoje em dia existe algum tipo de censura ou discriminação, voluntária ou até involuntária, sobre cientistas que exploram teorias e alternativas às aceites pela generalidade da comunidade científica.
Eu penso que algum tipo de discriminação existe, acrescida de desconfiança e de rotolagem. Como tanto gostamos de por um rótulo em tudo e em todos!

Questão: será que o esforço para combater tão ferozmente o CO2 é justificado? As certezas científicas serão assim tão grandes, inquestionáveis e inabaláveis? Mas afinal não podemos estar a observar um período de mudança natural? A temperatura média global da Terra nunca é constante no tempo, na prática e em dado momento estaremos sempre num período de aquecimento global ou arrefecimento global, é natural que assim seja, é um equilíbrio dinâmico e não estático.

É certo que a Primavera chega mais cedo e o “tempo” parece que já não é como antes, mas a conclusão causa-efeito que é devido à actividade humana é assim tão directa? Está claro qye podemos controlar o equilíbrio dinâmico complicadíssimo da Terra, pela redução de emissões de CO2?

Não será “ingénuo” e até uma visão antropocêntrica pensar que reduzindo a concentração global de CO2 da atmosfera a 350 p.p.m. estará tudo ok com o clima, mas acima disso é o cataclismo climático? Que podemos regular a temperatura da Terra, na ordem da décima de grau Célsius como se de um termostato se tratasse? A Ciência actual e os modelos informáticos conseguem realmente atingir estes níveis de exactidão e confiança para datas tão longínquas? Os modelos climáticos usados para prever o clima a nível mundial, usam médias de médias de médias de temperaturas diárias, diurnas, nocturnas, mensais, de diferentes climas, regiões, além o tamanho da grid usada nesses modelos é da ordem das dezenas ou centenas de quilómetros.

Admitindo sempre que a actividade humana actual é extremamente danosa para a biosfera, para a diversidade, para a própria saúde humana. Mais uma vez é importante distinguir o poluente CO2, dos verdadeiros poluentes atmosféricos, da água e do solo. Distinguir os problemas ambientais digamos tradicionais, da urgência climática actual.

Com os mesmos recursos de tempo e dinheiro, não poderiam ser resolvidos outros problemas ambientais mais imediatos e óbvios? Mais recursos para investigação científica, investimentos em tecnologias e processos industriais limpos, diminuição da verdadeira poluição atmosférica, melhores sistemas de transporte público, verbas para a conservação da natureza e biodiversidade, assegurar água potável nos países em vias de desenvolvimento, doenças curáveis, promoção de energias renováveis em larga escala a nível doméstico, as smartt grids, produção descentralizada, apoios à processos produtivos biológicos de alimentos, reciclagem e análise do ciclo de vida dos produtos, projectos de despoluição de massas de água e solos, projectos de recuperação e restauração de ecossistemas e tantas tantas outras áreas de cariz ambiental e de desenvolvimento humano para actuar, que se houvesse uma verdadeira vontade de mudar o actual paradigma do estado do ambiente, seria pela resolução destas temáticas que as conferências de Kioto e de Copenhaga deveriam tratar.

Encaro a personificação do CO2 de inimigo público nº1 com alguma relutância. Simplesmente quando penso que a larga maioria das políticas ambientais que vão no sentido de reduzir o consumo de algo ou aumentar a eficiência de algo, fariam exactamente o mesmo sentido, mesmo que não emitissem CO2 para a atmosfera.

Dando um exemplo abstracto: mesmo que os actuais automóveis de combustão interna não emitissem CO2, continuaria a fazer sentido exigir motores mais eficientes ao nível do consumo de combustíveis fósseis, assim como continuaria a fazer sentido ter cidades com transportes públicos de elevada qualidade.

Com este artigo não pretendo assumir-me como um “negacionista” ou um “crente”, mas apenas reflectir um pouco sobre questões e temas pertinentes.
Usei a palavra “crente” propositadamente porque implica um sentido ligeiramente negativo.

Apenas para ficarem em pé de igualdade os termos “negacionistas” e “crentes”....

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Jardins do Palácio de Cristal do Porto em reportagem no Biosfera



Não se pode simplesmente restaurar o Pavilhão Rosa Mota sem construir outros edifícios, salas anexas, obras afins e sem destruição do lago??

domingo, 4 de outubro de 2009

Recomenda-se: The Great Global Warming Swindle [2007]. Pede-se feedback aos leitores

DR

Ora aqui está um documentário elaborado pela Channel 4. Polémico sem dúvida mas com uma temática muito interessante.

Aborda e põe em causa o facto das emissões antropogénicas do gás de efeito de estufa, dióxido de carbono (CO2), serem ou não responsáveis pelas denominadas alterações climáticas e pelo fenómeno de aquecimento global.

Sobre este tema há mesmo muito para falar, debater e questionar: desde a base científica que prova ou não estas ocorrências; à identificação dos interesses económicos e políticos que estão subjacentes; ou se existe ou não uma censura e um descrédito de quem questiona os factos, dos cientistas em particular; etc..

Fica a sugestão para aqueles que independentemente de terem opinião formada ou não sobre este assunto, gostam de questionar os factos. Relembro que questionar e pôr em causa factos, é a base do método científico, não sendo nenhuma heresia questionar factos que nos são dados e apresentados como indiscutíveis.

The Great Global Warming Swindle (IMDB) dividido em partes e legendado em português. Boa sessão!
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sábado, 19 de setembro de 2009

“Casa Activa”: uma aposta da arquitectura sustentável

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Quero uma destas!

Imagine uma casa sem facturas de electricidade, mas com preocupações ecológicas. É isso que define o conceito da “Casa Activa”. A primeira localiza-se em Lystrup, na periferia da cidade dinamarquesa de Aarhus.

Clicar aqui para ver o vídeo da Euronews

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Semana Europeia da Mobilidade – Na cidade com o meu carro...

DR

Começa hoje dia 16 de Setembro e até dia 22 é celebrada a Semana Europeia da Mobilidade (European Mobility Week) em centenas de cidades aderentes por toda a Europa. Um dos pontos altos desta iniciativa ocorre dia 22, com a celebração do Dia Europeu Sem Carros (Car Free Day).

Semana Europeia da Mobilidade

Em 2009, na nona edição da Semana Europeia da Mobilidade são 1636 as cidades europeias que aderiram a esta iniciativa, só em Portugal contam-se 65 as cidades aderentes.

Esta iniciativa decorre da necessidade crescente de uma mobilidade sustentável praticada a larga escala nas cidades europeias. É uma semana de informação, de iniciativas, de educação, de sensibilização, de protesto, de exigência de infraestruturas e de alternativas.. e se possível gostaríamos que fosse também uma semana de mudança de mentalidades e de hábitos quotidianos, de mudança efectiva.

Desenvolvimento sustentável

Mas que significa isto de mobilidade sustentável? Numa sociedade onde o vocabulário corrente foi inundado, graças sobretudo aos senhores da publicidade, de termos como: “verde”, “bio”, “eco”, “orgânico”, “biológico”, “sustentável”, etc.. é normal que haja perda de sentido das palavras.

Em termos simples e gerais, o conceito de desenvolvimento sustentável significa uma coexistência equilibrada entre três valores: a economia, o ambiente e o social. Simplificando ainda mais: equilíbrio entre a Natureza, o Homem e o lucro.

O desenvolvimento sustentável, é um desenvolvimento económico e social que não põe em causa o bem-estar nem os recursos naturais das gerações actuais nem futuras. É conceito tão importante e tão simples que parece ter sido esquecido ao longo dos tempos, vítima do desenvolvimento acelerado das sociedades contemporâneas.

No entanto é um conceito que provavelmente não terá lugar no vocabulário de populações que ainda vivem em equilíbrio com a Natureza, mas que o aplicam de modo instintivo e natural, pois a sobrevivência dos seus filhos depende da qualidade e da quantidade dos recursos naturais que lhes são legados.

Mobilidade sustentável

Aplicando todo este palavreado ao conceito de mobilidade sustentável, resulta um conceito que assenta, a meu ver, em determinadas implicações tais como:

-o transporte público é sempre mais benéfico que o transporte individual;

-o transporte ferroviário (comboio e metro) é sempre mais benéfico que o transporte rodoviário (de combustão interna);

-o transporte aéreo é mais prejudicial ao ambiente que o transporte terrestre (rodoviário e ferroviário)

-andar a pé e o uso de veículos não motorizados, como a bicicleta, patins ou outras formas, são o modo mais amigo do ambiente de deslocamento dentro da cidade.

Mobilidade sustentável significa ainda que não é possível nem é benéfico para o bem-estar humano e para o bom funcionamento das cidades, que cada cidadão possuidor de automóvel próprio o use em todas as suas deslocações dentro do perímetro urbano.

Como benefícios de usar o transporte público e a bicicleta com meio privilegiado de transporte, poderia enunciar muitos como: a redução da despesa mensal em combustíveis e aparcamento; redução do stress visto não haver filas se usar por exemplo os sistemas ferroviários ou as bicicletas; melhor aproveitamento do tempo de viagem para ler ou simplesmente não fazer nada; redução dos congestionamentos de trânsito; melhorias para a saúde caso use a bicicleta ou vá a pé; e são tantos que poderia enumerar uns quantos mais. Deixo o convite ao leitor para experimentar por si próprio.

Ora bem. Depois de dito tudo isto, se o leitor ainda não tiver desistido por falta de tempo ou de paciência, continuo.

O curioso caso da cidade do Porto

Os portuenses são uns felizardos. O Porto aderiu à Semana Europeia da Mobilidade, não tinha reparado? Então veja aqui o programa de festas retirado do site da União Europeia dedicada a esta iniciativa. Veja com muita atenção.

Semana Europeia da mobilidade “Melhoremos o Ambiente na Cidade”

Programa Provisório

16 Setembro (quarta-feira)
• Divulgação do programa pelos órgãos de comunicação (press-release, mailing lists e noticia no site da CMP)
• Lançamento do inquérito interno à mobilidade dos funcionários da CMP

17 Setembro (quinta-feira)
• Conferência de Imprensa com o Sr. Presidente/Sr. Vereador a anunciar o programa da semana Europeia da mobilidade
• Entrega do Prémio Europeu da Mobilidade
• Apresentação do projecto Mobi E
• Apresentação do projecto da nova ciclovia

Dia da Intermodalidade
18 Setembro (sexta-feira)
• Distribuição de títulos de Viagens (com monitorização do uso dos bilhetes) nas entradas rodoviárias da cidade

Dia Civitas
19 Setembro (Sábado)
• Passeio Pedestre ao longo da marginal.

Dia da Intermodalidade
21 Setembro (segunda-feira)
• Apresentação dos resultados inquérito à mobilidade aos funcionários da CMP.

Dia da Segurança Rodoviária
22 Setembro (terça-feira)
• Escolinha de Trânsito
(Aulas do ensino básico iniciam entre 9 a 15 de Setembro)
Acção paralela

16 a 22 Setembro

• Distribuição de informação e brindes alusivos ao projecto Civitas-Elan em vários locais da cidade em bancas montadas para o efeito.

Leu com atenção? Viu o que vai acontecer? Sim está correcto! Basicamente nada! Vão fazer umas conferências, apresentar uns projectos (que até vêm a calhar para as eleições autárquicas que se avizinham), distribuir viagens grátis (é muito provável que distribuam a pessoas que já usam os transportes públicos), dá-se um passeiozito na marginal da Foz para a comunicação social ver e pronto, será isto a Semana Europeia da Mobilidade no Porto. Para fazer isto até escusavam de esperar por esta semana em especial.

É óbvio que no dia 22 de Setembro que é o Dia Europeu Sem Carros, tal como o nome indica e penso que é bastante sugestivo por si só; deveria haver um corte selectivo ao transito automóvel, permitindo apenas a circulação de transportes públicos, táxis e claro está os veículos não poluentes e formas alternativas de transporte.

No Porto não se fará nada disto, cá não há desses cortes de trânsito mariquinhas, aqui queremos assinalar o Dia Europeu Sem Carros com o Centro Histórico da UNESCO apinhado de carros, assim é que é.

O Porto tem mesmo uma paixão por automóveis, desde as desastrosas Corridas de Automóveis, aos stands improvisados em passeios públicos onde o uso por ciclistas e patinadores é comum, como o que o se pode ver na fotografia, curiosamente tirada hoje dia 16 em frente ao Centro Comercial da Foz.

Não tenho nada contra o negócio desta empresa, mas acho que cada coisa no seu lugar, existem lugares de lazer e outros de negócios. É certo que a marginal é um local apetecível para fazer negócios, devido ao número de pessoas que frequentam essa zona. Mas frequentam para lazer e passeio "saudável"e não para passeio e compras como se faz dentro em centros comerciais.

Sugiro também o vídeo que se encontra após as fotos.

Assim não vamos lá.....

AAA. Na Foz em frente ao molhe.

European Mobility Week 2007

segunda-feira, 27 de julho de 2009

SIC Notícias – reportagem do ECO Europa. Se não fossem os Invernos rigorosos, diria que a Suécia é um paraíso.

Excelente reportagem do “ECO Europa” sobre o modelo ambiental seguido por algumas cidades suecas.

Nesta reportagem são dados exemplos de cidades suecas que se destacam pela inovação e ousadia em matéria de meio ambiente. Pelo meio, uma entrevista a um deputado europeu sueco.

Na peça, são apresentados resultados obtidos e metas para o futuro em diferentes áreas como a política energética, sistemas de transportes, sustentabilidade das cidades, resíduos, urbanismo, "telhados verdes", etc.

Que possa servir de exemplo e de inspiração. Que contribua para alargar horizontes e para começar a exigir mais e melhor dos nossos governantes.

Sem dúvida um must see, que prova que com ideias certas aos comandos e com os esforços no sentido correcto é possível outro modelo de desenvolvimento mais sustentável, mais lógico e mais benéfico para a sociedade.


ECO Europa nº24 de 22-05-2009.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O lago do Palácio de Cristal foi esvaziado, começarão pelo fim?

Esta semana o lago do Palácio de Cristal no Porto foi esvaziado de toda a água levando a crer que, não se tratando de uma generosa limpeza sazonal, foi dado o primeiro passo ou “posto o primeiro tijolo”, da ainda futura requalificação daquele espaço.

Lago do Palácio de Cristal do Porto vazio em 22-07-2009. DR

Segundo se sabe as obras estariam programadas para terem início no final de 2009. Estamos a pouco mais de meio de Julho, pouco mais de meio ano.

Não será prematuro esvaziar o lago?


A resposta depende. Sim, se formos ponderados. Não, se a ideia for denegrir a imagem do lago e transformá-lo num verdadeiro charco (ver este post).

Este episódio lembra-me um pouco, ainda que as consequências deste sejam muito menos nefastas, quando a Câmara Municipal do Porto (CMP) decidiu arrancar centenas de árvores antigas, que ornamentavam o eixo central da Avenida da Boavista desde António Aroso até à rotunda do Castelo do Queijo para “preparar terreno” para a inevitável, inadiável, a certa e segura vinda do Metro para a Avenida da Boavista.

É óbvio que foi para preparar o terreno….mas para o Circuito da Boavista...

É que depois de o mal estar feito....

segunda-feira, 20 de julho de 2009

“..o lago, que actualmente não passa de um charco, vai ser transformado, dando lugar a um espelho de água."

Disse José Carlos Loureiro ao JN, o arquitecto responsável pelo projecto de remodelação do Palácio de Cristal e dos Jardins do Palácio de Cristal.

Desconstruindo a frase de notório tom depreciativo, demonstra-se a falta de conhecimento do arquitecto do meio natural (ou a imprecisão das palavras) assim como a intenção de menosprezar o existente lago.

Recorrendo à Ecologia Aquática encontramos as seguintes definições (simplificadas):

Charco - pequenas formações aquáticas de pequenas dimensões e de duração temporária.

Lago – formações aquáticas naturais de dimensão e profundidade muito variáveis e de duração permanente.

Logo por definição o que existe actualmente nos Jardins do Palácio de Cristal é um lago (artificial é certo) mas permanente e não um charco, como é afirmado pelo arquitecto.

Lago "pequeno" do Parque da Cidade do Porto. AAA

Lago do Palácio de Cristal do Porto. DR

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Delta do Níger, palco de "tragédia de direitos humanos"

DR

Um recente relatório da organização Amnistia Internacional sobre petróleo, poluição e pobreza na região do Delta do Níger descreve a situação como “tragédia de direitos humanos”.

O relatório

A principal empresa responsável pelo actual estado da região é a empresa petrolífera Shell, que há várias décadas mantém actividade na região. No relatório é afirmado que a referida empresa tem importantes responsabilidades em situações de derrames de petróleo, queima de gás, despejo de resíduos, violações de direitos humanos e outros impactos ambientais.

No fim do relatório são apresentadas as conclusões e um conjunto de recomendações ao governo e empresas.
Para os interessados neste tema, vale a pena dar uma vista de olhos no relatório disponível aqui.

As populações sobrevivem num ambiente poluído

“As pessoas que vivem no Delta do Níger têm que beber, cozinhar e tomar banho com água poluída. Comem peixe contaminado com petróleo e outras toxinas – se tiverem a sorte de ainda encontrar peixe. A terra que cultivam está a ser destruída. Após os derrames de petróleo, o ar que respiram cheira a petróleo, gás e outros poluentes. As pessoas queixam-se de problemas respiratórios e lesões de pele – e, no entanto, nem o governo nem as petrolíferas monitorizam o impacto humano da poluição petrolífera”, é afirmado por Audrey Gaughran.

O governo nigeriano, segundo o relatório, está ciente do grave desastre ambiental e da violação de direitos humanos das populações locais, sendo acusado de falta de regulação governamental, é afirmado que “o Governo nigeriano está a falhar na sua obrigação de respeitar e proteger os direitos das pessoas do Delta do Níger, a alimentação, água, saúde e subsistência”. “Algumas companhias petrolíferas, por seu lado, aproveitaram-se desta falha do governo e demonstraram uma chocante indiferença relativamente ao impacto humano das suas actividades”

Shell, conhecida infractora

A empresa Shell partilha com o governo nigeriano responsabilidades porque não põe em prática a tecnologia e o conhecimento que existe actualmente para minimizar os graves impactes ambientais e humanos que são causados pela indústria petrolífera, numa região sensível onde populações com graves deficiências económicas, dependem dos recursos naturais de que dispõem para sobreviver.

Recentemente a Shell, foi acusada de cumplicidade num caso de violação de direitos humanos na Nigéria, incluindo a morte por enforcamento de 9 pessoas uma das quais o conhecido escritor, activista ambiental e pacifista Ken Saro-Wiwa, como foi relatado aqui.

Sem saída?

Todos nós ficamos perturbados com estes acontecimentos e todos desejamos que seres humanos que vivem em países, que por desgraça deles, têm petróleo e gás, não sofram estas graves consequências ambientais, de saúde pública e de violação de direitos humanos.
Perante isto que se pode pensar de empresas como a Shell? Da indústria petrolífera? Será legítimo pensar que o melhor será olhar para o lado, porque tem de ser assim? Porque aparentemente vivemos num período da história em que o petróleo move os mais poderosos, desde os governos às mega empresas.

Exércitos são mobilizados meio mundo para invadirem países e assegurarem o abastecimento energético, em nome da liberdade e da segurança mundial, ecossistemas inteiros são destruídos e solo e água são contaminados, em nome do lucro e da ânsia de satisfazer mercados.

A luz ao fundo do túnel será o fim do petróleo, a origem de muitos males. Outros males virão em seu lugar…

terça-feira, 30 de junho de 2009

Petróleo: a origem de muitos males

DR

No seguimento do post anterior, lembrei-me de um documentário que vi há já algum tempo e pensei que seria apropriado apresentá-lo. Chama-se “Crude Impact” e durante 1hora e 37 minutos são abordados diversos temas relacionados com a nossa dependência do petróleo e dos seus derivados.

Uma pequena sinopse

O documentário está dividido por temas, começando por abordar o consumismo ocidental e em particular o norte-americano com a sua cultura e estilo de vida caracterizados por um enorme desperdício e consumo exacerbado de recursos. É ilustrada a origem e a movimentação de produtos derivados do petróleo como plásticos, insecticidas, combustíveis, nylon, etc e toda a energia desperdiçada para os criar, processar, transportar e comercializar.

Os problemas de poluição, destruição da natureza e a exploração de populações nativas de países pouco desenvolvidos mas possuidores de reservas petrolíferas são exemplificados com dois conhecidos casos: o caso da Texaco no Ecuador e o caso da Shell no delta da Nigéria.

Para finalizar o documentário aborda temas como as alterações climáticas, o pico do petróleo nos Estados Unidos da América nos anos 70 do século XX, o pico de petróleo mundial e os conflitos geopolíticos da actualidade em torno do controlo de reservas petrolíferas.

O “Crude Impact” termina, de forma muito semelhante a muitos outros documentários americanos, com uma longa (diria até demasiado) mensagem de esperança e de mudança, que às vezes se transforma um pouco cansativa, culpa também da música de fundo lamechas.

"Crude Impact", [2006], de James Jandak Wood, não legendado

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Quem matou o carro eléctrico?

DR- Estação de bicing em Barcelona

Segundo noticia o Expresso, foi anunciado que 21 cidades portuguesas aderiram ao Programa para a Mobilidade Eléctrica, sendo previsto que existam cerca de 320 locais de abastecimento de carros eléctricos em 2010 e em 1300 dentro de dois anos.

Carro eléctrico em Portugal

Recentemente a impressa tem publicado algumas notícias relacionadas com a introdução do carro eléctrico na sociedade portuguesa, ainda dominada por uma economia assente e dependente do bem escasso que é o petróleo.

Está previsto que os carros eléctricos beneficiem de isenção do Imposto Sobre Veículos e Imposto Único de Circulação, deduções fiscais na aquisição de veículos eléctricos e incentivos de abate de veículos em fim de vida quando estes sejam trocados por um eléctrico.

Muito mais pode ser feito

Aparentemente são boas notícias, mas ainda falta muito por fazer em matéria de mobilidade urbana em Portugal e em políticas de transporte de passageiros. Gostava que estas 21 cidades criassem planos e estudassem a viabilidade de sistemas urbanos de transporte mais sustentáveis, em vez de recorrer a veículos individuais. Quero com isto dizer que o português médio tem enraizado culturalmente a ideia que tem de se deslocar em veículo próprio, seja de combustão interna ou eléctrico.

As cidades simplesmente não têm espaço para tantos carros, quem fica prejudicado são todos os cidadãos, que se vêm privados de viver em cidades que não estejam entupidas por carros, carros em toda a parte, nas estradas, nos passeios, nas praças…

É necessário melhorar os sistemas de transportes públicos, autocarros, eléctricos modernos, metro, troleicarros, partilha de veículos, comboios urbanos e suburbanos.

Várias cidades europeias e da América do sul, estão actualmente a implementar sistemas colectivos de uso de bicicletas, como é o sucesso do Bicing em Barcelona, ou o Vélib em Paris, para já não falar de países como os Países Baixos, a Suécia ou a Alemanha que têm uma verdadeira paixão pelo uso da bicicleta como transporte dentro da cidade.

É preciso portanto investir. Investir em formação, em mudar mentalidades, mostrar exemplos de sucesso, construir ciclovias seguras que tenham em vista rotas inteligentes e não apenas de cariz lúdico. É necessário também dificultar o acesso de carros ao centro das cidades. Muitas das maiores cidades europeias têm os seus centros vedados à circulação automóvel, com as devidas excepções para moradores, táxis e transportes públicos.

História com final pouco feliz

A história do carro eléctrico tem sido trágica desde o momento da sua invenção. Devido aos grandes lobbies das petrolíferas, a tecnologia nunca teve o investimento nem a atenção merecida. É uma tecnologia vista como uma ameaça aos interesses das empresas petrolíferas. Os veículos eléctricos têm enormes e claras vantagens sobre os automóveis de combustão interna e inclusive em relação aos veículos a hidrogénio.

O documentário “Who Killed The Electric Car?” aborda precisamente este tema. Mostra como a construtora americana General Motors, desenvolveu e produziu um carro eléctrico perfeitamente funcional e como a mesma produtora preferiu destruir todos (centenas!) os carros que produziu e a tecnologia de baterias, do que comercializar e continuar o aperfeiçoamento.

Documentário disponível no YouTube dividido em duas partes, não legendado.

Parte I



Parte II

terça-feira, 9 de junho de 2009

Shell paga 15,5 milhões de dólares para não ir a tribunal



A empresa petrolífera Shell entrou em acordo extra judicial em que aceitou pagar 15.5 milhões de dólares, num processo em que é acusada de cumplicidade em casos de violação de direitos humanos na Nigéria, incluindo a morte por enforcamento de 9 pessoas uma das quais o conhecido escritor, activista ambiental e pacifista Ken Saro-Wiwa, noticia o "Público".



O caso remonta aos anos 90 e envolve a multinacional petrolífera Shell, Ken Saro-Wiwa fundador do Movimento Para a Sobrevivência do Povo Ogoni e o regime militar do então Presidente Sani Abacha.

A extracção petrolífera no delta do Níger pela Shell originou importantes danos ambientais e humanos causados, nomeadamente poluição de água, desflorestação, poluição do ar, deslocamento de populações inteiras e atentados aos direitos humanos. De referir que na época a Nigéria vivia sobre o domínio de uma forte ditadura militar e o petróleo constituía a principal fonte de riqueza do país.

Ken Saro-Wiwa
O descontentamento popular generalizado encontrou uma voz e uma cara em Ken Saro-Wiwa, um escritor nigeriano, que rapidamente se tornou famoso pelas suas lutas e convicções pacifistas, onde exigia um término da exploração abusiva do meio ambiente e das populações indígenas, por parte das empresas petrolíferas com o consentimento do governo.

Shell e o governo
O movimento indígena estava a ganhar adesão e cada vez mais importância e em 1993 mais de 300.000 pessoas quase 3/5 da população manifestaram-se numa marcha de protesto assinalando início do Ano Internacional dos Povos Indígenas declarado pelas Nações Unidas.

A Shell, alvo de protestos e de forte oposição por parte da população indígena, terá alegadamente pedido ao governo de ditadura militar que suprimisse a revolta popular. Os militares foram inúmeras vezes utilizados na escolta armada de operações de instalação de equipamentos petrolíferos da Shell. Existem registos de ataques militares a aldeias onde foram mortos centenas de civis e milhares foram feridos e deslocados, numa tentativa de suprimir a rebelião e de manter os produtivos campos de petróleo.

A morte de Ken Saro-Wiwa
O conhecido pacifista e activista foi preso e torturado por alegadamente ter participado no assassínio de quatro dirigentes políticos. Muitos consideram que foi tudo orquestrado pelos próprios militares para afastar Ken Saro-Wiwa da liderança do movimento, que cada vez se tornava mais incómodo. Foi julgado num duvidoso tribunal militar sem direito a defesa legal e condenado, juntamente com mais 8 pessoas a morte por enforcamento.

15.5 milhões vs. 3,48 mil milhões
De acordo com o "Energia Hoje", a Shell só no primeiro trimestre do ano de 2009 obteve um lucro líquido no valor de 3,48 mil milhões de dólares, é certo que ficou mais pobrezinha em relação ao ano passado, visto que no primeiro trimestre de 2008 os lucros rondaram os 9,08 mil milhões de dólares. De qualquer das formas o valor pago aos queixosos nem uma mossa faz numa empresa como a Shell (representa aproximadamente 0,45% do lucro do primeiro trimestre de 2009).

É bem sabido que é prática comum das empresas muitas vezes preferirem pagar multas e coimas, do que assumir a verdadeira responsabilidade. Aqui não se trata de multas, mas o princípio será o mesmo. As multas e as penalizações são simplesmente irrisórias face à capacidade financeira das empresas.

Dos 15.5 milhões uma parte será para pagar aos advogados do processo e perto de 5 milhões de dólares terá como destino financiamentos do povo Ogoni.
É quase ridículo o valor tendo em conta a devastação sofrida por este povo e pelos danos causados ao meio ambiente.



Pode ler-se na página da Shell Portugal e passo a citar:

"Declaração de Compromisso sobre Saúde, Segurança e Ambiente

No Grupo Shell estamos todos comprometidos no sentido de:

-atingir o objectivo de não haver danos para as pessoas

-proteger o ambiente"